Comunicação de saída, declaração de saída definitiva e como manter conta bancária no Brasil

Quando decidimos que iríamos sair do país, uma das primeiras coisas que comecei a me preocupar foi com a Receita Federal, principalmente com o Imposto de Renda (IR). Ainda seria necessário declarar o IR todo ano? Se não vamos ter rendimentos no Brasil, seríamos isentos de declaração, certo?

O problema é que, neste momento, temos investimentos no Brasil. No início vai ser difícil conseguir abrir uma conta em banco na Irlanda, pois eles pedem (entre outras coisas) o código do PPS (segurança social, correspondente ao PIS do Brasil) e um comprovante de residência de contas de água, luz ou telefone no nosso nome, coisas que demorarão um tempo (acho que, no mínimo, 1 mês) para serem conseguidas. Além disso, as taxas de juros do Brasil são bem maiores que as da Europa e, consequentemente, os investimentos tupiniquins terão rendimentos superiores, se mantidas as conversões das moedas. Resumindo: queremos manter os investimentos no Brasil (pelo menos por um tempo) e ficamos em dúvida sobre como seria a declaração disso a partir da mudança para a Irlanda.

Pesquisei muito na internet sobre a Declaração de Saída Definitiva, mas as informações que achei estavam desencontradas. Muita gente falando que mora no exterior (na Irlanda, inclusive) há vários anos, e que nunca fizeram a declaração e nunca tiveram problemas com a Receita, enquanto outros sites falavam que a lei (IN SRF Nº 208, 2002) é clara e define que devem fazer a declaração de saída todos aqueles que saíram do país em caráter definitivo ou que passaram mais de 12 meses consecutivos fora do país (mesmo que tenham intenção de retornar no futuro).

Como as informações (lei vs. experiência prática) não batiam, resolvi ir direto na fonte e agendei um horário no site da Receita Federal para atendimento na minha cidade, com o tipo de serviço  “Orientações – Plantão Fiscal Fazendário PF” (Link). No dia agendado (mas na hora nem tanto, pois meu atendimento começou com 1 hora de atraso), fui muito bem atendido por um funcionário com bastante conhecimento, que tirou todas as minhas dúvidas com bastante propriedade. Abaixo listo as minhas perguntas e as respostas que recebi:

  1. Realmente é necessário fazer a Declaração de Saída Definitiva?

RFB: Sim, pois você se isenta de qualquer questionamento futuro da Receita Federal, já que você não precisará mais fazer a declaração de IR anual.

  1. Mas se eu tiver rendimentos no Brasil (investimentos ou apartamento alugado), como vou recolher o imposto e declarar isso à Receita, sendo que não faço mais a declaração do IR?

RFB: São casos distintos. Se você tiver um apartamento alugado, precisa emitir um DARF mensalmente para recolher o imposto sobre essa receita. No caso de fundos de investimento, você faz a Comunicação de Saída Definitiva (diferente da Declaração de Saída Definitiva) com a data mais próxima possível da sua saída do país. Nessa comunicação, você precisa informar o CNPJ das fontes pagadoras (bancos onde você possui investimentos) e depois sugiro que você entregue esse documento impresso no banco e solicite um protocolo de recebimento do seu gerente, com data, assinatura e carimbo. Esse protocolo irá te isentar de pagar qualquer multa e diferença de recolhimento que o seu banco fizer incorretamente no futuro, pois você prova que comunicou ao seu banco que está saindo do país e que o erro foi deles em não recolherem o imposto da forma correta. A depender do tipo de investimento que você possua, existem alíquotas diferenciadas para não-residentes.

  1. Qual a melhor data para fazer a Comunicação de Saída Definitiva?

RFB: O ideal é fazer antes da sua saída, pois dá tempo de ir no banco solicitar o protocolo de recebimento. Porém, se a sua viagem for nos meses de janeiro ou fevereiro, não é possível fazer antes da viagem, pois o formulário só fica disponível a partir de 01/março de cada ano. A comunicação é feita pelo próprio site da Receita Federal (link para comunicação de 2017).

  1. Ouvi falar que alguns bancos não aceitam que não-residentes tenham conta corrente ativa. Existe algum impedimento legal?

RFB: Da Receita Federal posso te garantir que não. Inclusive alguns tipos de investimentos possuem alíquotas de imposto menor para não-residentes, de maneira a atrair investidores estrangeiros. Mas como o processo para o banco é um pouco diferente das contas de residente, o banco pode não estar preparado ou não ter interesse em manter esse tipo de conta especial.

  1. E a Declaração de Saída Definitiva, quando ela deve ser feita?

RFB: Essa demora um pouco mais para poder ser feita. Na verdade, ela é feita junto com a Declaração Anual do Imposto de Renda, no próprio aplicativo do IRPF. Se agora em 2017 você estará fazendo a declaração do exercício de 2016, ainda não poderá declarar a saída definitiva porque ela só vai ocorrer em 2017. Então, só a partir de março de 2018 é que a Declaração de Saída Definitiva poderá ser feita.

  1. Qual a implicação de não fazer a Declaração de Saída Definitiva?

RFB: Sei que muitas pessoas que saem do país acabam não fazendo a declaração, algumas por desconhecimento, outras por achar desnecessário. O que posso te dizer é que os casos de pessoas que moram no exterior e estão sendo intimadas a comparecer à Receita para prestar esclarecimentos e pagar multas e impostos não recolhidos tem aumentado a cada dia. Recentemente atendi uma senhora de idade que teve que retornar ao Brasil para resolver uma questão relacionada a duas casas que ela possui em outro país. Uma era a que ela estava morando há mais de 4 anos, e outra ela alugava e obtinha rendimentos. Como ela não fez a Declaração de Saída Definitiva, qualquer rendimento que a pessoa tenha (no Brasil ou fora dele) deve ser declarado à Receita Federal. Como ela não estava declarando, gerou todo esse transtorno. No seu caso é ainda pior, pois a Irlanda não possui acordo para evitar a dupla tributação com o Brasil (Link). Ou seja: todo rendimento que você tiver na Irlanda (salário, investimentos, recebimento de aluguel, etc.) devem ser declarados à receita e ter o imposto recolhido, mesmo que você já tenha recolhido impostos para a Irlanda.

Compartilho também com vocês uma dica de leitura, passada pelo próprio funcionário da Receita, que possui uma linguagem bem mais simples que a lei propriamente dita, e esclarece algumas outras questões que não perguntei a ele, pois não se aplicavam ao nosso caso, mas podem ser úteis para vocês. O arquivo pode ser encontrado no site da Receita, um arquivo PDF chamado “Perguntas e Respostas IRPF 2016” (Link).

A busca por um banco onde deixar os nossos investimentos

Depois de esclarecidas as dúvidas com a Receita Federal, o próximo passo foi questionar aos bancos onde possuo contas correntes o que aconteceria quando eu entregasse para eles a Comunicação de Saída Definitiva, se seria possível manter uma conta para não-residentes. Até aquele momento, eu tinha contas nos bancos Santander, Bradesco, Caixa Econômica e Citibank.

Então, resolvi começar os questionamentos no Citibank e Santander, por serem bancos internacionais e que deveriam ter esse tipo de serviço. No Citibank, já recebi logo de cara uma resposta negativa, a gerente parecia conhecer esse tipo de questionamento e me afirmou que assim que a Comunicação fosse entregue ao banco, a conta seria cancelada e eu teria que retirar o dinheiro. No Santander, a minha gerente já não possuía a informação e solicitou que eu enviasse um e-mail com os questionamentos, que ela iria buscar uma resposta junto ao banco.

Enquanto aguardava a informação do Santander, já fui conversar com os gerentes do Bradesco e Caixa Econômica. Na Caixa, também já recebi do meu gerente a informação de que a conta corrente não poderia ser mantida, assim como o LCI que tinha investido. Mas ele iria buscar com a Gerente Geral e com outras áreas do banco se existiam alternativas de investimentos que fossem possíveis de serem mantidos.

No Bradesco, como é uma conta que não movimento muito e utilizava somente para facilitar o pagamento de DAJEs estaduais e IPVA, a primeira pessoa que me atendeu informou que o Bradesco não trabalhava com contas para não-residentes. Solicitei logo o cancelamento da minha conta e o mesmo iniciou o processo. Neste meio tempo entre sacar o dinheiro remanescente e o cancelamento da conta, o meu gerente retornou do almoço. Expliquei novamente a situação e que precisava de algum banco para manter meus investimentos e falei o valor que gostaria de manter no Brasil. É um valor baixo para gerentes de contas Santander Van Gogh e Citibank Gold, mas que torna-se expressivo para um gerente de uma conta simples do Bradesco. Ele me encaminhou direto para conversar com o Gerente Geral da agência e este, que por sinal estava bem interessado em manter minha conta, buscou nos normativos internos do banco tudo relacionado a conta de não-residentes. Ele nunca tinha recebido questionamentos sobre esse tipo de conta, apesar de afirmar que possui clientes que não moram no Brasil. Ele conseguiu confirmar que o Bradesco possui esta modalidade, mas estava escrito no normativo que deveria ser uma nova conta e precisaria que a declaração de saída já tivesse sido feita, além da assinatura do titular. Como eu expliquei anteriormente, a declaração só será feita em 2018, então onde manter o dinheiro até lá? Além disso, ele também achou que tinha ouvido algo em alguma conferência do banco sobre mudanças nesse tipo de conta. Então também saí do Bradesco com uma promessa de resposta sobre o que fazer para manter minha conta lá.

Então, nesse meio tempo, minhas opções foram se limitando. Acabei também visitando bancos onde não tinha conta, como Itaú e Banco do Brasil, para poder questionar a possibilidade de contas para não-residentes. Recebi respostas negativas também nestes dois. Neste tempo também recebi a negativa do Santander. O desespero foi crescendo e a possiblidade de não fazer a Comunicação de Saída foi crescendo junto. Até que recebi a indicação do meu chefe para tentar obter informações no Banco Safra.

Eu desconhecia que Salvador possuía agências do Safra. Apesar da agência que fui ser bem antiga e estar localizada dentro de um dos maiores e mais tradicionais shopping centers da cidade (Shopping da Bahia, antigo shopping Iguatemi), ela fica localizada num ponto escondido e de pouca circulação no shopping. A primeira coisa que pensei foi no fato de ser um banco menor, mais focado em câmbio e investimentos, com uma carteira de clientes mais restrita e com gerentes mais qualificados, e por isso talvez fosse realmente uma boa opção. E o chute foi certeiro! Assim que cheguei na agência, fui direcionado a uma gerente que afirmou já possuir outros clientes que residiam no exterior, mas só precisava checar a questão da Comunicação de Saída. Acredito que os clientes dela possam também não ter feito a Comunicação/Declaração, mas como ela passou uns 2 dias para me dar a informação e afirmou ter entrado em contato com setores de impostos e jurídico do banco, senti firmeza e resolvi abrir minha conta com ela.

Depois que a conta do Safra já estava aberta e já tinha também cancelado a conta do Citibank, recebi respostas da Caixa e do Bradesco. Na Caixa, a alternativa seria manter o valor em uma previdência privada.

Já do Bradesco, após 2 semanas da minha ida à agência, recebi a ligação de uma gerente das contas Exclusive, que havia recebido o meu caso do Gerente Geral da agência e que tinha uma resposta positiva para mim. Eu poderia migrar minha conta atual para o Exclusive (junto com meus investimentos, claro), ela assinaria o protocolo da Comunicação de Saída e em 2018 eu enviaria um procurador para fazer a criação da minha nova conta para de não-residente, transferindo os valores e encerrando a conta antiga. Bom, se eu não tivesse encontrado o Safra, talvez fosse essa a alternativa escolhida. Mas o fato de já estar com tudo encaminhado no Safra, aliado ao fato de ter que dar trabalho a um procurador e também àquilo que o Gerente Geral disse sobre ter ouvido falar sobre possíveis mudanças no processo de contas para não-residentes, me fez deixar o Bradesco como segunda opção. Se algum dia o Safra voltar atrás, posso partir para essa opção ou ainda para a previdência privada da Caixa.

Então, na última semana antes da minha viagem, cancelei as contas do Bradesco, Santander e Caixa, ficando somente com o Safra. Com eles vou ter benefícios de cartão de crédito Platinum sem anuidade (não quis arriscar o Black, com anuidade alta), 2 saques em caixas eletrônicos internacionais por mês sem tarifas e 8 DOCs/TEDs por mês, sem contar o ótimo atendimento que estou recebendo da gerente (pelo menos até agora). O aplicativo mobile é bom (um pouco lento para aparelhos com menos de 2Gb de RAM), o internet banking tem o layout feio mas é bem funcional, então até agora só tenho que reclamar dos cartões de débito e crédito que demoram uma eternidade para chegar. Inclusive vou viajar sem eles, mas a gerente se prontificou a enviá-los por Sedex para a Irlanda assim que chegarem na agência. Como mantive os cartões de crédito do Citibank, agora desvinculados da conta corrente, não vou ficar sem opções caso os cartões do Safra não cheguem a tempo.

Para finalizar, gostaria de saber daqueles que já moram no exterior, se alguém já fez (ou vai fazer) a Declaração de Saída Definitiva e os problemas que enfrentou. Espero ter ajudado aqueles que ainda não foram e/ou estão em dúvida sobre declarar ou não a saída para a Receita. Se houver algo que não ficou claro ou alguma dúvida adicional, deixem seus comentários que vou tentar responder com o máximo de detalhes possível.

Até mais!

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125 comentários sobre “Comunicação de saída, declaração de saída definitiva e como manter conta bancária no Brasil

  1. Deiwyd Soares

    Primeiramente gostaria de cumprimentar pela riqueza de detalhes aqui contidas, melhor que encontrei nos últimos 6 meses que não sei ainda o que fazer.

    Por favor, você tem alguma informação sobre acordos para não bi-tributação? México seria meu caso. Estou buscando um meio de não ter que fazer a declaração de saída para continuar como residente, porém muita informação desconsertada. Continuar residente para mim é possível pois vou ao Brasil em um periodo regular inferior a 01 ano.

    Mas a pergunta que busco é: como declarar rendimentos (salários) recebidos no México e ser beneficiado pelo acordo de bi-tributação?

    Muito obrigado.

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  2. Alex

    Bom dia Casal 20. Estou desesperado! 😀

    Trabalho nos EUA desde fevereiro, nao fiz a declaracao ainda e tenho contas correntes no Santander e Itau Personalite, poupanca da Caixa, alem de contas nas corretoras XP (acoes) e Easynvest (CDBs e Debentures). Estou vendo que estou ferrado se fizer a declaracao, porque pelo que li nos comentarios nenhum desses bancos manteria minha conta, correto? Na easynvest eu tenho aplicacoes do tesouro direto alem de CDBs e Debentures com vencimento para daqui 5 anos! Ou seja, nao tenho como retirar o dinheiro antes do vencimento, nao sei o que acontece nesse caso. Como os EUA tem acordo com o Brasil para nao dupla tributacao, eu teria a opcao de nao fazer a declaracao de saida e declarar IR normalmente? Qualquer ajuda ou sugestao agradeco muito, muito obrigado.

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    1. giovane

      Olá Alex; fiz minha saida definitiva em 2010 e somente esse ano 2017 que abri uma conta CDE no Bradesco.. Porem mesmo não sendo residente mantenho uma conta normal na caixa e também esse ano abri uma conta na XP normalmente como residente e invisto todos os meses. Espero ter ajudado

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    2. Henrique

      Olá Alex,

      Minha situação é idêntica à sua. Me mudei para a Finlândia a trabalho em Setembro/2017, recebo salário no exterior, não fiz declaração/comunicação de saída definitiva do país e mantenho conta corrente e poupança no Itau Personnalité e investimentos na Easynvest.
      Por estes motivos, também não desejo comunicar a saída definitiva do país.
      Minha ideia inicial seria simplesmente preencher meus rendimentos mensalmente via carnê-leão e continuar fazendo a declaração anual do IR. O IR que pago na Finlândia é superior ao brasileiro e portanto não é possível emitir DARF pois não há diferença a ser paga para o Brasil. Então entendo que o carnê-leão no final das contas só vai me servir pra facilitar a importar os dados na declaração anual do IR. Ou seja, tanto faz fazer carnê-leão ou não.
      Ainda não estou certo das implicações de seguir por esse caminho. Caso você ou alguém que esteja nos lendo tiver alguma ideia, adoraria trocar uma ideia.

      Abraços,
      Henrique

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      1. Fabio

        Olá Henrique

        Estou com uma situação muito parecida. E estou planejando seguir pelo mesmo caminho que você dizia. A única questão adicional é que teria que voltar ao Brasil sempre antes de 12 meses,e ter algum endereço válido por lá. No meu entendimento, seguir assim não seria ilegal, mas apenas com alguma possível tributação maior (e desnecessária), além dos custos de voltar ao Brasil sempre (pensando em rendimento vs. custos). Você achou alguma solução viável?

        Abraços
        Fabio

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  3. Catharina

    So pra completar a informacao: eu contactei o banco Safra hj pra abriri uma conta de nao residente, mas eles nao estao mais oferecendo esse servico. Pelo menos nao na agencia que eu contatei no Rio de Janeiro

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  4. Tauana

    Olá casal 20. Me interessou a possibilidade do Safra, só conhecia a do Bradesco. Mas queria saber sobre investimentos. Vocês têm aplicação em Tesouro Direto ou outra, que tenha sido mantida no Safra?
    Obrigada!

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  5. Luciana

    Olá casal!
    Excelente o post e assim como todos aqui, vinha pesquisando essas informações e só agora com vocês consegui chegar mais perto. Muito obrigada mesmo! Estou tentando agendar com a receita e não estou conseguindo achar essa descrição de serviços que vocês indicaram que parece ser a que se aplica a mim. “orientações plantao fiscal fazendario pf”. Utilizei o link de vocês e direto na receita. Os serviços listados não me atendem. Vocês podem me ajudar por favor! Obrigada mais uma vez!

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  6. José

    Parabéns pelo excelente relato, @diariodocasal20!

    Eu me mudei para a Alemanha em novembro de 2017, e por alguns meses também esquentei bastante a cabeça com a questão da Declaração de Saída Definitiva. No meu caso tenho conta no Bradesco e na Spinelli, e investimentos em diversas modalidades de renda fixa e variável. Estava interessado na isenção fiscal concedida a não-residentes fiscais mas, principalmente, em evitar a bitributação sobre meus salários recebidos no exterior.

    Segui os processos iniciais na minha agência e em dezembro do mesmo ano até cheguei a fazer a Comunicação de Saída Definitiva (que semanas depois eu cancelaria). Quando todas as portas se fecharam e vi que a única alternativa seria sacar todo o dinheiro das aplicações e transferir para um CDB fiquei desolado.

    Eis que encontrei no Perguntão do IRPF da Receita Federal (http://idg.receita.fazenda.gov.br/interface/cidadao/irpf/2017/perguntao/pir-pf-2017-perguntas-e-respostas-versao-1-1-03032017.pdf) a solução para o meu problema principal: evitar a bitributação. A partir da página 66 (perguntas 122 a 128) está explicado como compensar mensalmente no carnê-leão o imposto pago sobre salários recebidos em diversos países. É preciso também providenciar a tradução juramentada das leis que estabelecem o acordo com o Brasil e dos holerites. No caso especial da Alemanha, Estado Unidos e Reino Unido só os holerites precisam ser traduzidos. Conforme a alíquota de imposto do país onde reside é possível que nem seja necessário recolher qualquer diferença no Brasil.

    Com isso fico sem o benefício fiscal dos não-domiciliados, mas continuo com toda a flexibilidade para movimentar meus investimentos. Se eu colocasse tudo em um CDB perderia essa vantagem, ficaria sujeito a menores rendimentos e o pior: continuaria pagando imposto, porque o CDB segue a regra geral dos residentes fiscais.

    TL;DR: Para quem mora em algum dos países listados no Perguntão do IRPF da Receita Federal uma estratégia mais vantajosa do ponto de vista dos investimentos é *não* fazer a Declaração de Saída Definitiva e deduzir o imposto pago no exterior mensalmente no carnê-leão.

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    1. Pablo

      Olá José,

      Tenho CDBs na Easynvest que me impedem de fazer declaração de saída, pois a Easynvest não aceita não residentes, e não encontrei forma de transferir CDB.

      A ideia do carne do leão é todo mês (no caso no Estados Unidos, que tem o acordo) lançar com aplicativo do carne do leão seu holerite com a tradução juramentada?

      É assim que vc está fazendo?

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      1. José

        No Perguntão da Receita diz que eles devem ser apresentados juntos com a declaração anual, e não com cada DARF, ou seja, a tradução de todos os holerites é feita apenas uma vez ao ano.

        Pelo que entendo você usa essas traduções como qualquer comprovante de rendimento fornecido por uma empresa brasileira. Você entrega a declaração e a Receita “assume” que a documentação existe. Só se houver alguma coisa suspeita eles convocarão você a apresentar essas traduções.

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  7. catralatru

    Excelente post!

    Mas a questão é … se eu não fizer a declaração, tem como a receita cruzar a data de saída e me tributar nos rendimentos recebidos dentro do brasil?

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  8. ThiagoPereira

    Oque voces acham de fazermos um grupo de whatsapp para discutir estes pontos e somar informacoes? Podemos ajudar uns aos outros e concentrar informacoes relevantes?

    Estou disposto a abrir este grupo e adicionar os usuários. Oque vc acha diariodocasal20?

    Eu estou na mesma situacao, me mudei para os EUA e com diversas perguntas sobre imposto nao apenas no Brazil mas EUA tb e acho que essa é uma forma de nos ajudarmos.

    Meu email: thiagounp@yahoo.com.br

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  9. Leonardo H.

    Incrível as informações encontradas neste blog, parabéns!

    Eu tenho planos de morar no Canadá em breve, e então de forma resumida, vou tentar sumarizar abaixo o que entendi lendo os comentários do blog, por favor corrijam caso eu tenha me enganado em algum ponto.

    Antes, algumas premissas:
    – Possuo ações na XP e não pretendo me desfazer delas no Brasil
    – Possuo família no Brasil e pretendo visitá-los todos os anos

    Sendo assim, por tudo que li e acredito ter entendido, no meu caso eu não precisaria fazer a declaração de saída definitiva nem a comunicação de saída junto aos bancos/corretoras pois:
    – Visitaria família no Brasil todos os anos, evitando “”saída definitiva automática” após 12 meses.
    – Poderia declarar tranquilamente no meu IR os ganhos no Exterior, visto que o Canadá possui acordo de não bitributação.
    – Poderia manter minhas contas de banco e corretora (pagando DARF’s relativos a ganho de capital sempre que necessário). OBS: No caso dos dividendos que são isentos no Brasil, talvez eu precisasse pagar dai no Canadá os 15% de IR sobre dividendos, mas dai tranquilo.

    Esqueci de algo ou é isso mesmo?

    Obrigado!
    Leonardo H.

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    1. Luiz Antonio

      Leonardo,

      O link do PERGUNTÃO DO IRPF DA RECEITA FEDERAL (em letras vermelhas, acima), esclarece sua dúvida na pergunta 111:

      CONDIÇÃO DE NÃO RESIDENTE — NOVA CONTAGEM

      111 — Quando se inicia nova contagem para estabelecer a condição de não residente de pessoa
      física que se ausentou do Brasil em caráter temporário, ou em caráter permanente sem entregar a Declaração de Saída Definitiva do País, e ficou fora do Brasil menos de 12 meses consecutivos?

      >>>> Novo período de 12 meses consecutivos será contado da data da saída seguinte.

      (Instrução Normativa SRF nº 208, de 27 de setembro de 2002, art. 3º, § 1º)

      Penso que, como você quebrará, anualmente, a contagem do período de 12 meses, não precisará fazer a Comunicação nem a Declaração de Saída Definitiva do País, podendo manter contas e investimentos no Brasil.

      Gentileza informarem, caso minha interpretação seja indevida.

      Saudações.

      Luiz Antonio

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  10. Fernando Carvalho

    Prezados, boa tarde.
    Obrigado pelas informacoes uteis!
    Estou fora do Brasil e gostaria de esclarecer 2 duvidas:
    1. Como efetuar a comunicação de saída definitiva do país (e pagar a multa, pois nao comuniquei em fevereiro de 2018) se nao tenho o número de recibo da última declaração de imposto de renda;
    2. Se a procuracao a deixar com o meu pai para que ele receba os valores referentes a devolucao do IR precisa ter poderes especiais, ou pode ser uma padrao (pois ja deixei uma padrao ao sair do Brasil ano passado).
    Grato antecipadamente.

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  11. Maria Rosangela Iwakura

    Olá,
    Moro no Japão , e não fiz minha declaração de saída , em 2016, abri uma conta na corretora Rico e comecei a adquirir ações , fundos imobiliários, debêntures , Coe, títulos públicos .
    Mês passado me surpreendi com meu CPF pendente de regularização !
    Entrei em contato com a receita federal e fui informada que meu CPF está pendente de regularização pois sou obrigada a fazer a declaração de saída ( mesmo pretendendo voltar um dia )
    Agora estou cheia de dúvidas porque se eu fizer a saída como ficará minha conta no Banco do Brasil , pois preciso dela para enviar o dinheiro, pagar a previdência privada etc…
    estou iniciando esta jornada perdida em dúvidas .
    Alguém está passando por este mesmo problema? Pode me dar uma luz ?
    Desde já agradeço

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  12. Nubia

    Parabens pelo excelente post!

    Entrei em contato com o Banco Safra e fui informada de que nao trabalham com esse tipo d conta. É possivel que so algumas agencias oferecam esse servico?

    Grata,

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