Comunicação de saída, declaração de saída definitiva e como manter conta bancária no Brasil

Quando decidimos que iríamos sair do país, uma das primeiras coisas que comecei a me preocupar foi com a Receita Federal, principalmente com o Imposto de Renda (IR). Ainda seria necessário declarar o IR todo ano? Se não vamos ter rendimentos no Brasil, seríamos isentos de declaração, certo?

O problema é que, neste momento, temos investimentos no Brasil. No início vai ser difícil conseguir abrir uma conta em banco na Irlanda, pois eles pedem (entre outras coisas) o código do PPS (segurança social, correspondente ao PIS do Brasil) e um comprovante de residência de contas de água, luz ou telefone no nosso nome, coisas que demorarão um tempo (acho que, no mínimo, 1 mês) para serem conseguidas. Além disso, as taxas de juros do Brasil são bem maiores que as da Europa e, consequentemente, os investimentos tupiniquins terão rendimentos superiores, se mantidas as conversões das moedas. Resumindo: queremos manter os investimentos no Brasil (pelo menos por um tempo) e ficamos em dúvida sobre como seria a declaração disso a partir da mudança para a Irlanda.

Pesquisei muito na internet sobre a Declaração de Saída Definitiva, mas as informações que achei estavam desencontradas. Muita gente falando que mora no exterior (na Irlanda, inclusive) há vários anos, e que nunca fizeram a declaração e nunca tiveram problemas com a Receita, enquanto outros sites falavam que a lei (IN SRF Nº 208, 2002) é clara e define que devem fazer a declaração de saída todos aqueles que saíram do país em caráter definitivo ou que passaram mais de 12 meses consecutivos fora do país (mesmo que tenham intenção de retornar no futuro).

Como as informações (lei vs. experiência prática) não batiam, resolvi ir direto na fonte e agendei um horário no site da Receita Federal para atendimento na minha cidade, com o tipo de serviço  “Orientações – Plantão Fiscal Fazendário PF” (Link). No dia agendado (mas na hora nem tanto, pois meu atendimento começou com 1 hora de atraso), fui muito bem atendido por um funcionário com bastante conhecimento, que tirou todas as minhas dúvidas com bastante propriedade. Abaixo listo as minhas perguntas e as respostas que recebi:

  1. Realmente é necessário fazer a Declaração de Saída Definitiva?

RFB: Sim, pois você se isenta de qualquer questionamento futuro da Receita Federal, já que você não precisará mais fazer a declaração de IR anual.

  1. Mas se eu tiver rendimentos no Brasil (investimentos ou apartamento alugado), como vou recolher o imposto e declarar isso à Receita, sendo que não faço mais a declaração do IR?

RFB: São casos distintos. Se você tiver um apartamento alugado, precisa emitir um DARF mensalmente para recolher o imposto sobre essa receita. No caso de fundos de investimento, você faz a Comunicação de Saída Definitiva (diferente da Declaração de Saída Definitiva) com a data mais próxima possível da sua saída do país. Nessa comunicação, você precisa informar o CNPJ das fontes pagadoras (bancos onde você possui investimentos) e depois sugiro que você entregue esse documento impresso no banco e solicite um protocolo de recebimento do seu gerente, com data, assinatura e carimbo. Esse protocolo irá te isentar de pagar qualquer multa e diferença de recolhimento que o seu banco fizer incorretamente no futuro, pois você prova que comunicou ao seu banco que está saindo do país e que o erro foi deles em não recolherem o imposto da forma correta. A depender do tipo de investimento que você possua, existem alíquotas diferenciadas para não-residentes.

  1. Qual a melhor data para fazer a Comunicação de Saída Definitiva?

RFB: O ideal é fazer antes da sua saída, pois dá tempo de ir no banco solicitar o protocolo de recebimento. Porém, se a sua viagem for nos meses de janeiro ou fevereiro, não é possível fazer antes da viagem, pois o formulário só fica disponível a partir de 01/março de cada ano. A comunicação é feita pelo próprio site da Receita Federal (link para comunicação de 2017).

  1. Ouvi falar que alguns bancos não aceitam que não-residentes tenham conta corrente ativa. Existe algum impedimento legal?

RFB: Da Receita Federal posso te garantir que não. Inclusive alguns tipos de investimentos possuem alíquotas de imposto menor para não-residentes, de maneira a atrair investidores estrangeiros. Mas como o processo para o banco é um pouco diferente das contas de residente, o banco pode não estar preparado ou não ter interesse em manter esse tipo de conta especial.

  1. E a Declaração de Saída Definitiva, quando ela deve ser feita?

RFB: Essa demora um pouco mais para poder ser feita. Na verdade, ela é feita junto com a Declaração Anual do Imposto de Renda, no próprio aplicativo do IRPF. Se agora em 2017 você estará fazendo a declaração do exercício de 2016, ainda não poderá declarar a saída definitiva porque ela só vai ocorrer em 2017. Então, só a partir de março de 2018 é que a Declaração de Saída Definitiva poderá ser feita.

  1. Qual a implicação de não fazer a Declaração de Saída Definitiva?

RFB: Sei que muitas pessoas que saem do país acabam não fazendo a declaração, algumas por desconhecimento, outras por achar desnecessário. O que posso te dizer é que os casos de pessoas que moram no exterior e estão sendo intimadas a comparecer à Receita para prestar esclarecimentos e pagar multas e impostos não recolhidos tem aumentado a cada dia. Recentemente atendi uma senhora de idade que teve que retornar ao Brasil para resolver uma questão relacionada a duas casas que ela possui em outro país. Uma era a que ela estava morando há mais de 4 anos, e outra ela alugava e obtinha rendimentos. Como ela não fez a Declaração de Saída Definitiva, qualquer rendimento que a pessoa tenha (no Brasil ou fora dele) deve ser declarado à Receita Federal. Como ela não estava declarando, gerou todo esse transtorno. No seu caso é ainda pior, pois a Irlanda não possui acordo para evitar a dupla tributação com o Brasil (Link). Ou seja: todo rendimento que você tiver na Irlanda (salário, investimentos, recebimento de aluguel, etc.) devem ser declarados à receita e ter o imposto recolhido, mesmo que você já tenha recolhido impostos para a Irlanda.

Compartilho também com vocês uma dica de leitura, passada pelo próprio funcionário da Receita, que possui uma linguagem bem mais simples que a lei propriamente dita, e esclarece algumas outras questões que não perguntei a ele, pois não se aplicavam ao nosso caso, mas podem ser úteis para vocês. O arquivo pode ser encontrado no site da Receita, um arquivo PDF chamado “Perguntas e Respostas IRPF 2016” (Link).

A busca por um banco onde deixar os nossos investimentos

Depois de esclarecidas as dúvidas com a Receita Federal, o próximo passo foi questionar aos bancos onde possuo contas correntes o que aconteceria quando eu entregasse para eles a Comunicação de Saída Definitiva, se seria possível manter uma conta para não-residentes. Até aquele momento, eu tinha contas nos bancos Santander, Bradesco, Caixa Econômica e Citibank.

Então, resolvi começar os questionamentos no Citibank e Santander, por serem bancos internacionais e que deveriam ter esse tipo de serviço. No Citibank, já recebi logo de cara uma resposta negativa, a gerente parecia conhecer esse tipo de questionamento e me afirmou que assim que a Comunicação fosse entregue ao banco, a conta seria cancelada e eu teria que retirar o dinheiro. No Santander, a minha gerente já não possuía a informação e solicitou que eu enviasse um e-mail com os questionamentos, que ela iria buscar uma resposta junto ao banco.

Enquanto aguardava a informação do Santander, já fui conversar com os gerentes do Bradesco e Caixa Econômica. Na Caixa, também já recebi do meu gerente a informação de que a conta corrente não poderia ser mantida, assim como o LCI que tinha investido. Mas ele iria buscar com a Gerente Geral e com outras áreas do banco se existiam alternativas de investimentos que fossem possíveis de serem mantidos.

No Bradesco, como é uma conta que não movimento muito e utilizava somente para facilitar o pagamento de DAJEs estaduais e IPVA, a primeira pessoa que me atendeu informou que o Bradesco não trabalhava com contas para não-residentes. Solicitei logo o cancelamento da minha conta e o mesmo iniciou o processo. Neste meio tempo entre sacar o dinheiro remanescente e o cancelamento da conta, o meu gerente retornou do almoço. Expliquei novamente a situação e que precisava de algum banco para manter meus investimentos e falei o valor que gostaria de manter no Brasil. É um valor baixo para gerentes de contas Santander Van Gogh e Citibank Gold, mas que torna-se expressivo para um gerente de uma conta simples do Bradesco. Ele me encaminhou direto para conversar com o Gerente Geral da agência e este, que por sinal estava bem interessado em manter minha conta, buscou nos normativos internos do banco tudo relacionado a conta de não-residentes. Ele nunca tinha recebido questionamentos sobre esse tipo de conta, apesar de afirmar que possui clientes que não moram no Brasil. Ele conseguiu confirmar que o Bradesco possui esta modalidade, mas estava escrito no normativo que deveria ser uma nova conta e precisaria que a declaração de saída já tivesse sido feita, além da assinatura do titular. Como eu expliquei anteriormente, a declaração só será feita em 2018, então onde manter o dinheiro até lá? Além disso, ele também achou que tinha ouvido algo em alguma conferência do banco sobre mudanças nesse tipo de conta. Então também saí do Bradesco com uma promessa de resposta sobre o que fazer para manter minha conta lá.

Então, nesse meio tempo, minhas opções foram se limitando. Acabei também visitando bancos onde não tinha conta, como Itaú e Banco do Brasil, para poder questionar a possibilidade de contas para não-residentes. Recebi respostas negativas também nestes dois. Neste tempo também recebi a negativa do Santander. O desespero foi crescendo e a possiblidade de não fazer a Comunicação de Saída foi crescendo junto. Até que recebi a indicação do meu chefe para tentar obter informações no Banco Safra.

Eu desconhecia que Salvador possuía agências do Safra. Apesar da agência que fui ser bem antiga e estar localizada dentro de um dos maiores e mais tradicionais shopping centers da cidade (Shopping da Bahia, antigo shopping Iguatemi), ela fica localizada num ponto escondido e de pouca circulação no shopping. A primeira coisa que pensei foi no fato de ser um banco menor, mais focado em câmbio e investimentos, com uma carteira de clientes mais restrita e com gerentes mais qualificados, e por isso talvez fosse realmente uma boa opção. E o chute foi certeiro! Assim que cheguei na agência, fui direcionado a uma gerente que afirmou já possuir outros clientes que residiam no exterior, mas só precisava checar a questão da Comunicação de Saída. Acredito que os clientes dela possam também não ter feito a Comunicação/Declaração, mas como ela passou uns 2 dias para me dar a informação e afirmou ter entrado em contato com setores de impostos e jurídico do banco, senti firmeza e resolvi abrir minha conta com ela.

Depois que a conta do Safra já estava aberta e já tinha também cancelado a conta do Citibank, recebi respostas da Caixa e do Bradesco. Na Caixa, a alternativa seria manter o valor em uma previdência privada.

Já do Bradesco, após 2 semanas da minha ida à agência, recebi a ligação de uma gerente das contas Exclusive, que havia recebido o meu caso do Gerente Geral da agência e que tinha uma resposta positiva para mim. Eu poderia migrar minha conta atual para o Exclusive (junto com meus investimentos, claro), ela assinaria o protocolo da Comunicação de Saída e em 2018 eu enviaria um procurador para fazer a criação da minha nova conta para de não-residente, transferindo os valores e encerrando a conta antiga. Bom, se eu não tivesse encontrado o Safra, talvez fosse essa a alternativa escolhida. Mas o fato de já estar com tudo encaminhado no Safra, aliado ao fato de ter que dar trabalho a um procurador e também àquilo que o Gerente Geral disse sobre ter ouvido falar sobre possíveis mudanças no processo de contas para não-residentes, me fez deixar o Bradesco como segunda opção. Se algum dia o Safra voltar atrás, posso partir para essa opção ou ainda para a previdência privada da Caixa.

Então, na última semana antes da minha viagem, cancelei as contas do Bradesco, Santander e Caixa, ficando somente com o Safra. Com eles vou ter benefícios de cartão de crédito Platinum sem anuidade (não quis arriscar o Black, com anuidade alta), 2 saques em caixas eletrônicos internacionais por mês sem tarifas e 8 DOCs/TEDs por mês, sem contar o ótimo atendimento que estou recebendo da gerente (pelo menos até agora). O aplicativo mobile é bom (um pouco lento para aparelhos com menos de 2Gb de RAM), o internet banking tem o layout feio mas é bem funcional, então até agora só tenho que reclamar dos cartões de débito e crédito que demoram uma eternidade para chegar. Inclusive vou viajar sem eles, mas a gerente se prontificou a enviá-los por Sedex para a Irlanda assim que chegarem na agência. Como mantive os cartões de crédito do Citibank, agora desvinculados da conta corrente, não vou ficar sem opções caso os cartões do Safra não cheguem a tempo.

Para finalizar, gostaria de saber daqueles que já moram no exterior, se alguém já fez (ou vai fazer) a Declaração de Saída Definitiva e os problemas que enfrentou. Espero ter ajudado aqueles que ainda não foram e/ou estão em dúvida sobre declarar ou não a saída para a Receita. Se houver algo que não ficou claro ou alguma dúvida adicional, deixem seus comentários que vou tentar responder com o máximo de detalhes possível.

Até mais!

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14 comentários sobre “Comunicação de saída, declaração de saída definitiva e como manter conta bancária no Brasil

  1. Carlos

    Excelente post, nunca tinha achado nada tão completo, parabéns!
    O Safra cobra uma mensalidade acessível pra manter esse tipo de conta? Já ouvi relatos de bancos tentando cobrar até 1000 reais de mensalidade, pois em geral eles não tem interesse em manter conta de não-residente.

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    1. Olá Carlos! Obrigado pelos elogios ao nosso post!

      Também tínhamos lido em muitos locais na internet falando sobre essa mensalidade de mil reais, mas nenhum banco que pesquisamos nos deu essa opção, parece que agora eles estão simplesmente rejeitando os clientes não-residentes.

      O Safra nos deu 6 meses de isenção de tarifas do pacote “Master” na abertura da conta, e só então irá iniciar a cobrança da mensalidade nos mesmos valores de contas de residentes. A gernete nos sugeriu passar para o pacote “Padronizado II” e ficar com uma mensalidade de, no máximo, R$16 quando expirarem os 6 meses, algo totalmente razoável. Parece que o banco ainda dá descontos na mensalidade a depender do valor investido, então o valor pode ficar ainda menor. Como os 6 meses terminam só em Maio, ainda não sabemos o valor exato que ficará a mensalidade.

      A tabela com as diferentes tarifas do safra pode ser encontrada em: http://www.safranet.com.br/safranet/servicos/tarifas.asp

      Espero ter ajudado!

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  2. Leandro

    Ótimo post!
    Desculpe pela pergunta que pode ser besta, mas quais os impeditivos para abrir uma conta digital no bradesco, itau, etc enquanto está no Brasil e informar o endereço de seus pais para correspondencia?
    Você nao poderia continuar utilizando depois de fazer a declaracao de saida?

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    1. Olá Leandro! Na verdade, não poderia. Se você informar ao banco (ou ele receber essa informação da Receita Federal – mais provável com Banco do Brasil e Caixa Econômica) que não é mais residente do Brasil, o banco automaticamente encerraria a sua conta.

      Segundo sugestão do auditor fiscal da Receita Federal, eu deveria que fazer a comunicação de saída e solicitar que o gerente do banco assinasse e carimbasse esse documento, de forma a me proteger caso a RF identificar no futuro algum imposto sobre a renda retido na fonte incorretamente pelo banco. O detalhe é que as alíquotas para alguns investimentos são diferentes para residentes e não residentes do Brasil, então com esse protocolo é muito mais fácil se defender e dizer que a culpa foi do banco.

      Aqui está o link da receita que descreve as alíquotas de IR para não residentes: https://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2014/perguntao/perguntas/pergunta-118.html

      Ou ainda pode baixar o PDF completo da versão mais recente do “Perguntas e Respostas do IRPF”:
      https://idg.receita.fazenda.gov.br/interface/cidadao/irpf/2017/perguntao

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  3. anderson

    Boa noite amigo, parabens pelo excelente post. tenho perdido algumas noites de sono ja com esse negocio do IR e saida definitiva.
    Estou em Dublin a quase 2 anos e nao fiz a saida definitiva do BR porque tenho receio sobre meus investimento no BR. tenho renda fixa e renda variavel.
    Agora no mes de abril vou ter que fazer o IR normal ou fazer a definitiva; e sinceramente nao sei o que eu faço.
    Estou com medo de fazer a definitiva e depois meu banco (santander) n aceitar mudar minha conta o mesmo com minha corretora.
    Conheco varias pessoas em Dublin q estao aqui a muito tempo e nunca fizeram a saida definitva, outros nem declaram IR. movimentam a conta normal e nunca tiveram problemas.

    Esse assunto é muito complexo.
    Teria algum conselho para me da
    Muito obrigado

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    1. Boa noite Anderson!

      Realmente, como você tem conta no Santander e está aqui na Irlanda, se fizer a declaração de saída corre o risco do Santander descobrir e querer cancelar sua conta, ou você ser questionado pela Receita depois pela diferença das alíquotas do imposto retido na fonte. Te garanto (por experiência própria), que o Santander não está trabalhando com contas para não residentes. Você pode tentar ver com a sua corretora se eles trabalham com essa modalidade, acho mais fácil do que um banco “comum”.

      Se você quer fazer o certo e declarar a saída definitiva, o ideal seria tentar o mais rápido possível criar uma conta no Safra ou Bradesco, talvez consiga sem precisar ir ao Brasil com uma procuração liberando alguém para abrir e movimentar inicialmente a conta para você. O Santander deve levar um tempo para identificar que você não é mais residente, então é nesse tempo que você precisa agilizar a abertura da conta em outro banco e transferir o dinheiro investido. O único detalhe do Bradesco é que você precisa já ter feito a declaração de saída para conseguir criar a conta para não residente e talvez encontre atendentes que não conhecem essa modalidade, então a sugestão aqui é sempre procurar o gerente geral da agência.

      Outra opção, não tão boa, é transferir o dinheiro todo pra Irlanda e fazer investimentos por aqui mesmo. Sei que não vai conseguir rendimentos tão bons, mas sugiro tentar se informar com os bancos de investimentos daqui qual o rendimento que conseguiria nos diferentes tipos de investimentos e qual o valor mínimo a ser investido. Os bancos de investimento mais famosos da Irlanda são: Davy Group (http://www.davy.ie/private-clients), Bank of Ireland Investment (https://personalbanking.bankofireland.com/save-and-invest/investments/), Investec (https://www.investec.ie/#PrivateClients), Goodbody Stockbrokers (https://www.goodbody.ie/) e Sarasin & Partners (http://www.sarasin.ie/private-clients).

      Se você continuar declarando o IR normalmente e não fizer a declaração de saída, é só torcer para o Brasil nunca fechar um acordo com a Irlanda para trocar de informações da Receita Federal com o Revenue, porque se algum dia isso acontecer, você (e todo mundo que não fez a declaração de saída e trabalha na Irlanda) terá que pagar imposto de novo (desta vez para o Brasil) sobre todos os salários e rendimentos que teve na Irlanda durante todo esse tempo. Ouvi falar que o Brasil já possui esse acordo com alguns países, mas o único que tenho como te confirmar que existe é com Portugal. Como o governo está de todas as formas procurando fontes de renda para bancar os altos custos (corrupção, bolsa família, etc.), não sei se as chances de isso acontecer são tão remotas.

      Você tem uma decisão difícil pela frente! Boa sorte!

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  4. Jose Augusto

    Parabéns pelo post, possui muita informação que estava buscando há alguns meses e não encontrava. Gostaria de te perguntar uma coisa: supondo que foi feita a declaração de saída completa sem problemas. E você está trabalhando há um tempo no exterior e vai regressar com um montante de dinheiro, cujo os devidos impostos já foram aplicados no país atual, seria necessário pagar algum imposto para o Brasil? Outra pergunta seria, se forem feitas remessas pequenas de dinheiro para fazer algum pagamento pendente no Brasil, teria que recolher imposto sobre esse dinheiro?
    Desde já agradeço.

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    1. José Augusto, em primeiro lugar obrigado pelo elogios. Depois, também gostaria de elogiar as suas perguntas, muito inteligentes.

      No primeiro caso (retorno ao Brasil), se você esteve na condição de não-residente durante todo o período que teve rendimentos em outro país, não tem que pagar nada no retorno. Você já pagou os impostos no outro país e, se não é residente do Brasil, também já deve ter pago os impostos sobre os rendimentos que tiver tido no próprio Brasil durante esse período, como investimentos de renda fixa (retidos na fonte pelo próprio banco) ou aluguel (pagamento mensal do DARF de 15% sobre o valor líquido recebido, na data do recebimento).

      Segundo o FAQ da Receita (pergunta nº 154): “A pessoa física que retornou à condição de residente no Brasil está sujeita às normas vigentes na legislação tributária aplicáveis aos demais residentes a partir da data em que se caracterizar a condição de residente”. Então só começa a declarar o imposto de renda (e a pagar impostos sobre ela) a partir da data do retorno, mesmo que você ainda tenha dinheiro no exterior. Ou seja: Se tiver rendimentos no exterior após a data que voltou a ser residente do Brasil, deve pagar os impostos dobrados (país de origem e Brasil). Cuidado com investimentos, aluguéis e recebimento de salários no exterior.

      Sobre sua segunda pergunta, realmente não sei responder. Nunca achei a resposta em nenhum local, então tenho aplicado o que a gerente do Safra me pediu (segundo ela, informação do setor Jurídico do banco): Não efetuar movimentações na conta (recebimento/envio) que superem R$10.000 por mês.

      Espero ter ajudado!

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  5. Fabi

    Nossa me ajudou muito. Estou começando a pesquisar sobre saída definitiva e o que fazer com os meus investimentos. Gostaria de saber sobre a burocracia para a abertura de conta no Safra. Já li em outros lugares que podem existir muitas exigências para abertura de conta não residente.
    Houve alguma exigência especial? Sobre câmbio como funciona? Existe a possibilidade de fazer remessa se você precisar na Irlanda?

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    1. Oi Fabi! Bom, criamos a conta no Safra ainda na condição de residentes, então foram as documentações normais de abertura de conta. Porém, já sabíamos que iríamos sair do Brasil após 3 ou 4 meses e já explicamos toda a situação para o jurídico do Banco, no momento da abertura. Então a única “burocracia” foi aguardar uma semana para receber o retorno do Jurídico sobre a possibilidade de manter a conta depois de virar não residente, além de solicitar à gerente do banco a assinatura e carimbo como protocolo de ciência na comunicação de saída (5 dias antes da viagem, se viagem anterior a Abril, ou via procurador, se após Abril).

      A única exigência do Safra foi não ultrapassar R$10.000 de movimentação mensal. Tenho utilizado o TransferWise (https://transferwise.com/u/felipeb59) para fazer transferências entre Brasil e Irlanda, que também possui o limite mensal de R$10.000 . O TransferWise é a forma mais prática e mais em conta para transferências internacionais, pois você faz tudo online e eles só cobram 2.5% sobre o valor transferido, sem falar que a cotação da moeda é muito próxima da cotação comercial (mais barata). O Safra, só a título de comparação, cobra U$100 por transferência internacional (só aqui já seria mais caro que o TransferWise), usa a cotação turismo (ou próximo disso) e eu ainda teria que pedir ao meu procurador para ir no banco assinar a remessa a cada transferência. Então fica a dica!

      Outra sugestão (quase exigência) do banco foi não investir na bolsa de valores, que apesar de ser permitido pelo Brasil para não residentes, possui uma forma um pouco mais complexa de cálculo do imposto a pagar, onde tudo deve ser feito inteiramente pelo próprio investidor e mais suscetível a erros. Então só posso investir em CDB, fundos de investimento em renda fixa e fundos multimercado, pois todos possuem o IR retido na fonte pelo próprio banco. A movimentação da conta é normal pela internet, se precisar ligar para o atendimento uso os créditos do Skype (R$0,06 o minuto de ligação para o Brasil) e, caso possua algo muito complexo para ser resolvido com o banco, posso pedir ao procurador para resolver/assinar presencialmente no banco. Mas este último caso ainda não aconteceu.

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      1. Fabi

        Olá muito obrigada pelas informações.
        Realmente, o Safra parece ser uma luz no fim do túnel e transferwise parece uma boa solução para remessas.

        Tenho lido tanta coisa sobre o quanto é difícil abrir uma conta de não residente que já estava desanimando. Na realidade não conheço ninguém que tenha feito saída definitiva​. Acho que muita gente nem nunca ouviu falar, ainda é difícil encontrar quem tenha feito a experiência de procurar uma conta de não residente.

        Sobre a possibilidade de abrir no Bradesco eu nem consideraria como segunda opção. Sou cliente do banco e com investimentos lá, mas já estou tão insatisfeita com os serviços sendo residente, que ficar com uma conta de não residente não me atraiu muito. Li no site do Bradesco que a conta de não residente é voltada para quem está fora temporariamente. Creio que ela está focada no público que pretende enviar suas economias para o Brasil e voltar daqui algum tempo. Na realidade não me pareceu muito flexível e nem sei se atende às necessidades de quem pretende sair definitivamente.

        Muito boa sorte na Irlanda para vocês. Encontrei o seu blog por acaso e adorei. Realmente me trouxe muitos esclarecimentos. Obrigada! Vou continuar acompanhando!

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  6. Marco

    Olá!
    Estou passando por este processo no momento, então deixo minha experiência aqui:
    Sou correntista do Itaú, que realmente não tem muito interesse nestes clientes. Eles até tem um processo para manter contas assim, mas a conta fica numa única agência da av. Paulista e tem mensalidade de 1000 reais (está na tabela de tarifas deles).
    Procurei o BB também, onde tive muita dificuldade de encontrar qualquer informação. Numa agência Estilo, fiquei sem resposta por semanas. Numa agência normal, até encontrei um gerente interessado, mas ele não conseguiu encontrar informações. Mas, finalmente, voltei na agência Estilo e falei com outra gerente, que esta sim conhecia as regras e inclusive já tem outros clientes na mesma situação. Segundo ela, posso abrir uma conta normalmente e levar a comunicação de saída definitiva para ela (comunicação, não declaração, basta um papel assinado por você mesmo). Ainda não fiz isso, mas estou confiante que vai dar certo!

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    1. Obrigada pelo seu relato, Marco!! Realmente temos que correr atrás para fazer o correto e não termos problemas no futuro. Pelo visto a BB Estilo vai fazer o mesmo procedimento que a gerente do Safra nos orientou. Boa sorte e volte sempre!
      Abraços,
      Casal 20

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